Parar não é interromper

Trechos do texto "Os domingos precisam de feriado", do Rabino Nilton Bonder, da Congregação Judaica do Brasil.
 
A noite é pausa, o  inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.
Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.
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Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e a televisão não dormem.  Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme.
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Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente.
As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o   Domingo de um feriado...
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Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante. Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram   tanto por tão poucos... 
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Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma  interrupção.

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