A lembrança futura

“É preciso ver Lisboa no tempo exato de um suspiro. Vê-la inteirinha à primeira luz do amanhecer, por exemplo. Ou vê-la completa com o último reflexo do sol sobre a rua da Prata. E depois chorar. Porque, ainda que seja a primeira vez que a vemos, temos a impressão de já ter vivido ali todo tipo de amores truncados, desenlaces violentos, ilusões perdidas e suicídios exemplares. Você caminha pela primeira vez pelas ruas de Lisboa e, tal como ocorrera ao poeta Valente, sente a cada esquina a lembrança difusa de já tê-la dobrado”.


Enrique Vila-Matas, no segundo número da revista Serrote.

Comentários

Fred Tavares disse…
Mais coincidência que isso? Impossível!
Ana Lucia disse…
Lisboa e muitas esquinas a dobrar.
Mui merecido, parceiro.
eduardo disse…
vila-matas é bartleby & cia e paris não tem fim! fica entao um lisboa é uma festa, na esteira do hemingway